Candy Solitude

A quem se deve a criação do mundo?

domingo, 18 de outubro de 2009

Postumus.

Naquela hora, eu já não era nada além de espírito sem carne. Uma alma vagando na dimensão da morte. Na imensidão da dor. Quem era eu? Corajosa capaz de tirar a própria vida ou indigna de vivê-la?


Bruscamente, após muitos segundos de plena escuridão, um forte clarão me acometeu. Antes, era como se tudo tivesse entrado em um buraco negro; como se o mundo houvesse sido dragado pelos ralos sujos dos becos do gueto; como se o céu já não fosse moradia do sol e como se a lua tivesse adormecido no meio da noite. Era como se tudo o que era vida, tivesse encontrado a Morte. E a Morte as levado para longe.

Mas, e o clarão? Sim, estava tão claro agora, que eu mal podia abrir os olhos. Porém, quando os abri, nada doeu. A luz não agredia minhas púpilas e isso me deixou mais assustada.
Eu vi pessoas gritando, mas percebi que não ouvia barulho algum. Sem sons ou vozes. Tentei gritar também, mas nada saia de minha boca. Elas pareciam ignorar completamente a minha presença. Eu já estava beirando o desespero, e aqueles pequenos flashes de imagens aleatórias da verdade, atrapalhavam ainda mais meu dicernimento da realidade.

As pessoas estavam aglomeradas em frente a velha casa. Algumas carpideiras, uma criança e algumas outras pessoas tristes e chorosas. Imediatamente, me ocorreu a lembrança de que estivera alí há pouco tempo. Fui, calmamente, naquela direção e, lentamente fui descobrindo a figura de uma jovem, deitada na grama verde, em meio as rosas brancas. Notei que algumas rosas estavam vermelhas. Talvez manchadas de sangue.

Os flashes iam aumentando à medida em que me aproximava do jardim. Cabelos negros, compridos, brilhantes; A pele, visivelmente sensível e pálida, contrastava com as cores das outras flores. Seu vestido branco, tão bonito, a fazia parecer personagem de contos de fadas. Sua boca estava com um riso lateral. E os olhos estavam abertos. Abertos como seus pulsos, como os meus...

...

Naquela hora, as minhas mãos estavam em ponto de caírem congeladas no chão, de tão frias que estavam. Minha voz não conseguia existir, meus olhos não podiam enxergar. Meus pulmões pareceram faltar com seu trabalho. Mas que trabalho? Não! Minha mente não podia crer. O que havia feito? E o que aconteceu...

Nada nunca fora tão aterrorizante nem tão devastador, como a dor que sentira naquele momento.


Não foi tudo dragado pelos ralos.


Fui recebida pelos braços da morte.

--
"
Lacrimosa dies illa
Qua resurget ex favilla
Judicandus homo reus.
Huic ergo parce, Deus
Pie Jesu Domine
Dona eis requiem, Amen.
"


domingo, 2 de agosto de 2009

Razão, Cores e Eu.

Amarelo, azul, branco, verde e rosa.
Pega a prosa, toca uma canção.
Abraça um toco,
andando torto no meio da multidão.
Preto. Pronto, te olha de canto e...
Me vomita no chão.

Não como são abertos os olhos da juventude
É como vejo: velha e amarga. Cinzenta.
Não como os velhos prados floridos,
Mas como antigo, empoeirado, vivenciado. Marrom.

Vermelho, beijo, atordoado. Coração.
Grita, respira, chora.
Brinco com palavras
Mas não como elas são
Eu digo, faço, ligo; é inspiração.
Como se fosse...

Nada tem sentindo em minha razão.

Endangered Animal of the Day